Design de peptídeos baseado em resíduos-chave da interação entre a proteína príon celular (PrPᶜ) e a irisina
Nathália dos Santos FariaPhD.
As exercinas são moléculas liberadas na corrente sanguínea pelo tecido muscular como resposta à contração durante o exercício físico, possuindo efeitos benéficos para diversos órgãos e tecidos. Dentre essas, está uma miocina clivada da proteína FNDC5 (Fibronectin type III domain-containing protein 5), chamada irisina. Achados prévios sugerem que a irisina exerce seu efeito neuroprotetor, promovendo o resgate da memória e da plasticidade sináptica em modelos da doença de Alzheimer (DA). Esse efeito está associado à ativação de vias de sinalização intracelular que levam a produção de mediadores neuroprotetores. Essa sinalização pode ser desencadeada pela interação da irisina com receptores presentes na membrana dos neurônios, como a integrina αV/β5. Entretanto, outras proteínas de superfície celular também podem participar da modulação dos efeitos biológicos promovidos por essa miocina. Levantamos a hipótese que um desses receptores seja a proteína prion celular (PrPC), que, no contexto fisiológico, participa da ativação de vias de sinalização intracelular envolvidas na geração de mediadores neuroprotetores incluindo as vias MAPKs/ERK e AMPc, também descritas como alvos da sinalização induzida pela irisina. Um outro fator reforça essa hipótese, é o fato de a PrPC interagir com
proteínas contendo domínios de fibronectina. Considerando que a irisina é gerada através da clivagem proteolítica da proteína FNDC5 (Fibronectin type III domain-containing protein 5), que possui um domínio do tipo fibronectina III, propõe-se que a PrPC, reconhecida por interagir com proteínas contendo esse domínio, possa atuar como um receptor para a irisina. Desse modo, a interação entre ambas poderia intermediar, ao menos em parte, os efeitos neuroprotetores atribuídos a essa miocina. Com base em achados prévios do nosso grupo, que sugerem a existência de um domínio de interação entre a PrPC e a irisina, este
trabalho busca propor peptídeos derivados da irisina a partir da identificação dos resíduos-chave envolvidos na interação com a proteína príon. Para isso, serão empregados métodos de Mecânica Clássica, incluindo Docking Molecular e simulações de Dinâmica Molecular, com o objetivo de obter um complexo estruturalmente estável e mapear a interface de interação entre a PrPC e os peptídeos propostos. Posteriormente, serão aplicados métodos de Mecânica Quântica (MQ) para investigar se os resíduos presentes na interface de interação estão envolvidos em interações intermoleculares e processos de transferência de
carga. A integração entre abordagens de Mecânica Clássica e Mecânica Quântica permitirá uma caracterização estrutural e eletrônica detalhada do complexo, fornecendo uma base racional para a seleção de peptídeos candidatos com potencial de ligação à PrPC. Esses resultados poderão orientar estudos experimentais futuros destinados a avaliar a capacidade desses peptídeos de interagir com a PrPC e modular vias de sinalização associadas à neuroproteção.
Equipe: Nathália dos Santos Faria, Pedro Pascutti, Sérgio Ferreira (externo)